domingo, 28 de junho de 2009

Lágrimas

"Chorar me dói a cabeça
Me incha os olhos
Relativiza a minha emoção e o meu pesar
Exorciza aquilo que não cabe em mim
Desopila o coração cansado
Molha minhas páginas em branco
Conforta-me sobretudo,
a salinidade, a transparência
e a produção sempre obsequiosa
Uma lágrima não pede nada em troca
Como não a escambo,
nada implica uma troca de gentilezas
Firma-se assim um trato,

Tomo-a para dançar com a mais resoluta verdade

e ela segue agradecida o seu caminho em vértice."

Hoje quero mudar de direção. As lágrimas que amenizaram minha dor e acalmaram minha alma se foram...deixando em meu rosto não uma cicatriz de sofrimento, lágrimas não deixam cicatrizes visíveis. Elas somente limparam meu olhar e agora vejo claramente. Como eu sempre digo, nada melhor que uma noite de lágrimas e sono para nos mostrar o que realmente é mais sensato. Mas, quem disse que na vida é preciso ser sensato? Por vezes é necessário se perder, para poder se reencontrar. É necessário sofrer por amor, para poder conhecer a força que ele tem.

Confiar, é melhor que seja em si próprio. Digo, é melhor! Porém isso não nos impede de confiarmos em outro. Correndo o risco de se decepcionar, claro. Correr riscos...sempre corremos. Portanto, que sejam riscos felizes, que tragam harmonia, amor, paz!

Hoje, querido leitor, não estou para conselheira, nem para grandes ideias, as profundas, as perfeitas, as emocionantes. Estou hoje somente aqui. Não penso nada lógico. Respiro, como, leio, meu coração bate, meu sangue percorre minhas veias jovens. Meu corpo treme pelo frio. Meus lábios nao sorriem, como sempre, mas ainda estão aqui, prontos para que a qualquer momento, diante da alegria, possam, novamente, serem como são. Grandes, rosas e sorridentes!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Estão todos cegos!

Não, não é uma epidemia de glaucoma, nem tão pouco uma alucinação minha. Todas as pessoas estão cegas, talvez isso pareça demasiadamente generalista, e é exatamente essa a intenção.
Chega de ressalvas, de exceções, no fundo nós sabemos sobre nossa cegueira intrínseca, desumana. (peço perdão aos cegos fisiológicos ou a quem se sentir ofendido). Estou aqui falando de algo pior do que não poder ver. Falo de pessoas que não querem ver, não conseguem – não por um problema físico – mas por covardia. Mães que não olham para seus filhos e depois se perguntam onde foi o erro. Maridos e esposas que já não se reconhecem diante de tantos problemas. Políticos que não enxergam sua total displicência e ignorância. Não pense você, caro leitor, que partiu de minha mente idéias tão pessimistas (mas eu gostei), foi sim de um “belo” e “feio” filme. Dirigido pelo já tão premiado brasileiro (olha que chique) Fernando Meirelles, baseado num livro do escritor português José Saramago “Ensaio sobre a cegueira”. Nesse filme o tema “cegueira” vem como um sentido claro de impotência. Da nossa impotência diante de, simplesmente, nós mesmos. Para quem – ainda - não assistiu, aqui vai um conselho: leia o livro antes. Sabe porque? Vou explicar. Quando li o livro fiquei chocada com certas verdades humanas que na maioria das vezes temos vergonha de mostrar, ou escrever! Porém, minha sutil “inocência” quanto a alguns aspectos, não me proporcionaram imaginar cenas como as que vi no filme. Por isso, ler o livro vai fornecer o grau de “inocência” que você ainda tem! Certamente não é para qualquer um ver e entender. Afinal, nada é para todos. Claro que, cada um tem um gosto, muitos vão amar, outro tanto, odiar. O importante é não ter opinião formada sobre tudo. Confesso que esperava ver mais atores latinos, porém, a atuação de todos foi brilhante. Gael Garcia Bernal, o garoto propaganda do filme (essa não podia passar), está numa atuação também muito boa, mas já aviso às tietes de plantão que ele não chega nem perto do antigo Che.
Um ponto interessantíssimo do filme é a crítica ao que chamamos de sociedade, de governo. Chego a pensar nos anarquistas (ou pseudo-anarquistas) e utopia é o que me vem à cabeça. Sim, não me odeiem por isso, mas o ser humano AINDA não sabe viver sem cabresto. É muito egoísta para isso. Infelizmente.
Não vou contar, obviamente, o filme. Quem quiser que veja, ou faça ainda melhor, veja, olhe e sinta. Por fim, caro amigo leitor (olha só a intimidade), desejo que você seja saudável, que tenha a oportunidade de ver com os olhos e de sentir com a alma e para os que não podem ver fisicamente (e também para todo o resto), que agucem ainda mais a sensibilidade e não usem seus problemas para ludibriar ninguém (quem for ver o filme entenderá essa colocação).
Minha esperança? Um dia escrever lá no inicio “estão todos vendo”.

Abraços!!!

Olá caros leitores, sejam bem vindos. Hoje inicio meu próprio blog, relutei um tanto para aderir a esta ferramenta como algo pessoal, mas acredito que esta seja mais uma porta para difundir uma paixão: a escrita.

Postarei aqui textos de minha autoria, talvez alguns tenham passagens de textos de outros bons textos.

Como fã de Clarice, tomo como parte de mim mesma todas as suas poesias e por isso tenho a liberdade de iniciar esse novo espaço com uma das minhas prediletas.

Saudações e até a próxima

"Estou sentindo uma clareza tão grande

que me anula como pessoa atual e comum: 

é uma lucidez vazia, como explicar? 
assim como um cálculo matemático perfeito 
do qual, no entanto, não se precise. 
 
Estou por assim dizer 
vendo claramente o vazio. 
E nem entendo aquilo que entendo: 
pois estou infinitamente maior que eu mesma, 
e não me alcanço. 
Além do que: 
que faço dessa lucidez? 
Sei também que esta minha lucidez 
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes. 
 
Pois sei que 
- em termos de nossa diária 
e permanente acomodação 
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade 
é um risco. 
 
Apagai, pois, minha flama, Deus, 
porque ela não me serve 
para viver os dias. 
Ajudai-me a de novo consistir 
dos modos possíveis. 
Eu consisto, 
eu consisto, 
amém."