segunda-feira, 6 de julho de 2009

Hei de seguir eternamente a estrada
Que a tanto tempo venho já seguindo
Sem me importar com a noite que vem vindo
Como uma pavorosa alma penada

Sem fé na redenção, sem crença em nada
Fugitivo que a dor vem perseguindo
Busco eu também a paz, sorrindo
Será também minha alma uma alvorada?

Onde é ela? Talvez nem mesmo exista!
Ninguém sabe onde fica. Certo, dista
Muitas e muitas léguas de caminho.

Não importa! O importante é ir em fora
Pela ilusão de procurar a aurora
Sofrendo a dor de caminhar sozinho.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

A solidão de um pingüim

Biólogos estudaram por muito tempo o comportamento dos pingüins no Pólo Norte e concluíram que, mesmo com um vasto território, eles sempre optam por ficarem juntos, para tanto obedecem a sérias regras de conduta.
Não é esse o caso da sociedade brasileira. Aqui é melhor ficar de olho no seu, porque senão alguém leva.
A falta de comprometimento ético se dissemina em todos os níveis da sociedade. Segundo o filósofo Denis Rosenfield, o comportamento da sociedade brasileira vem melhorando. Devo dizer a ele que não é isso o que vemos por aí, há estudante fraudando o vestibular, empresário burlando de todo jeito a lei, um enorme desrespeito pelo patrimônio público e histórico, e assim vai. Mesmo desde o mais culto e instruído até o mais ignorante, salvo raras exceções, poucos podem dizer que são 100% éticos no seu dia-a-dia.
Recentemente, em pleno caos aéreo, outro grande exemplo de falta de ética, fomos obrigados a ouvir de uma importante política paulista: "Relaxa e goza". Observamos, incrédulos, uma onda de desmoralização do Senado Federal e colocamos em xeque a nossa democracia. Afinal, se o governante, com toda sua responsabilidade, pode mentir, roubar, fraudar, etc, porque eu, pobre mortal, não posso?
Ninguém mais da notícia política porque nós agora concentramos nossas torcidas para a copa do mundo de futebol( o ópio desse povo já tão alienado por BBB’s e afins). Temos a ilusão de que em plena era da informatização não há como esconder nada do mundo. O que realmente está acontecendo na África? Muitas guerras, mas quem se importa? São pobres mesmo! A invasão do Iraque virou piada, afinal matamos mais no Rio de Janeiro do que na Guerra Iraquiana não é?! 
Existe diferença entre guerra civil e tentar disseminar uma cultura? Será que estamos perto da 3ª Guerra Mundial? Não, para os menos avisados, nos encontramos nela exatamente agora! Sem pânico, estamos no país das maravilhas, nada pode tirar o brasileiro de sua eterna alergia. Nada! Cadê a Alice?
Em ano de eleição o que mais me revolta são os apolíticos, dizem que não querem saber, tudo é sempre igual e nunca vai mudar...Blá...blá...blá...um discurso que para alguns é inteligente, digno, para mim parece ser medroso e ignorante, todo dia somos políticos, em cada ação usamos a política; o importante é não confundir falta de vergonha na cara com política, não são sinônimos. 
Tudo bem que não somos a juventude que lutou nas Diretas já, nem tão pouco fomos vítimas da opressão daquela época, porém estamos muito longe da alienação de que nos acusam. Existe sim uma grande leva de mentes ferozes, estudantes que trabalham para mudar esse Estado. Sem bandeiras revolucionárias, sem gritos (Anãue!) e sem caras pintadas é claro! 
Sartre disse um dia “o importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós fazemos do que os outros fazem de nós”.
Não sabemos para onde estamos indo somente que a história nos trouxe até aqui.
Na sociedade dos pingüins, se algum membro se comporta de maneira a ferir as regras do grupo, todos imediatamente lhe viram as costas, ele, sozinho, numa atitude digna, se afasta, ficando à mercê de predadores. Ele é o único responsável por suas ações e assim se coloca. Já no Brasil, quando um de nossos governantes comete um crime, seja qual for, acaba a usar isso para sua promoção pública. Sempre se reelegendo, sem nenhuma culpa, nenhuma satisfação e, pior, nenhum arrependimento.

Vampiros também amam?

Quinta-feira, encontro uma amiga no shopping (mais um belo programa curitibano), vamos passear pela livraria (neste caso um programa pessoalmente divertido). Procuro alguma coisa pra ler, bom o suficiente para tomar grande parte das minhas férias e talvez conseguir me distrair das boas conversas familiares. O rapaz que nos atendeu era muito simpático e bem, sabia o que tava fazendo. Indicou-me um bom livro de poesias (Fernando Pessoa) e depois me surpreendeu com um best-seller que “todos” conheciam, menos eu! Confesso que costumo manter uma distância razoável dos best-sellers, talvez seja preconceito (que coisa feia), mas ainda acho esse um preconceito razoável, visto que, antes de tê-lo, já havia me deparado com livros absolutamente irrelevantes pra qualquer mortal na jornada pela vida terrena e que se tornaram símbolos de uma massa ávida por encontrar respostas sobre si mesmos nas páginas de um livro! Enfim, contudo, foi mais uma superação, fiquei curiosa com a promessa de que se tratava de um bom livro e que a autora (mulher e norte americana) era jovem e formada em literatura. Bem, obviamente não foi o fato de ser formada em literatura que me fascinou, na verdade foram aquelas poucas palavras que sempre lemos atrás do livro.“De três coisas eu estava convicta. Primeira: Edward era um vampiro. Segunda: havia uma parte dele que tinha sede do meu sangue. E terceira: eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele”.Como uma mulher poderia resistir a isso? Perguntei-me! Oras, isso é jogo sujo. Romantismo acende em nossos corações algo de misterioso e inalcançável. Não resisti, comprei-o! Começava ali minha saga rumo ao final do livro, cada página me fascinava mais, não saia sem ele nas mãos. É muito engraçado o poder de uma boa história. Confesso que nas primeiras páginas pensava ser uma menina de 15 anos que havia escrito o livro. Porém, com o passar da história, a autora vai se aprofundando psicologicamente e então, concluí: ninguém com pouca experiência seria capaz de escrevê-lo. O fato que mais me surpreendeu foi que o livro é comprado por adolescentes (claro que não é somente por eles). Comecei a ler na sexta e no domingo terminei. Foi triste. Mais de 300 páginas e vou ter que comprar a continuação, só Deus sabe onde isso vai parar. Algumas teorias foram criadas por mim, será que é uma lavagem cerebral? Ou tem cocaína nas páginas? Não, não...Nada disso, conheço pessoas que leram e não se fascinaram como eu. Por isso minha teoria mais forte é a de sempre, cada livro que gostamos reflete um momento pessoal de nossas vidas. Será que estou apaixonada? Vai saber! Continuando minha saga, descobri que seria lançado na semana seguinte o filme no Brasil. Falei com os amigos, poucos haviam lido e estes não estavam com tanta vontade de ver o filme como eu. Não pude esperar a estréia, fui na pré-estréia! O dia havia sido longo e eu tava cansada, cheguei em casa rapidamente, escovei os dentes e num lapso estava pegando o elevador e me dirigindo ao cinema mais próximo. Queria pegar a sessão mais cedo possível, era às 21h. Quando cheguei no cinema, já faltava pouco pra começar o filme e estava simplesmente lotado. A fila era enorme, crianças gritando como se fossem ver lá dentro algum astro da nova juventude ou algo parecido. Nunca havia visto nada parecido no cinema, talvez porque não costumo ver filmes baseados em best-sellers. Fiquei atônita quando descobri a idade mínima pra entrar: 12 anos! Bem, realmente as crianças estão cada vez mais precoces, mas algumas partes do livro eram “pesadas” demais. Bem, não interessa, os pais que devem se preocupar com isso. Voltando a minha loucura, fui na bilheteria e eureka! Nada de ingressos. Na verdade fui lá só pra me certificar do fato já óbvio diante do frenesi da multidão. Saí do cinema rumo a minha outra opção, uma sessão às 22h10. Estava ,para essa, adiantada, algo que me deixou bastante feliz. Cheguei no outro cinema e estava como eu gosto, vazio! Lembrei-me que apesar de deixarem que os filhos vejam filmes de vampiros à noite, poucos pais deixam que eles passem da meia noite na rua! Uma hipocrisia já natural. Enfim, os ingressos também já estavam esgotando, mas como eram pessoas menos eufóricas as que estavam ali, naquele horário, pude ir jantar tranqüilamente. Exato, só me lembrei que humanos precisam se alimentar quando estava garantida minha entrada na pré-estréia. Cheguei pouco antes do inicio do filme e consegui um bom lugar. Não o melhor, mas nada iria me abalar naquele momento. Quando começou o filme o alvoroço foi grande, a figura de Edward gerou uma certa tietagem. Eu ri! Cada beijo deles, ou uma mera aproximação deixa a todos encantados. Foi bonito, porém, como sempre o filme deixou muito a desejar, pois o livro é realmente ótimo. Precisava ver para crer! Como disse a quem me perguntou depois, para quem NÃO leu o livro é um bom filme. Para quem leu, não é! Não pela filmagem. Nem pelos atores. É tudo muito bem feitinho e os atores são bonitos, como o livro deixa bem claro serem os personagens. Contudo, pareceu-me que jogaram a história. Como quando comemos um pedaço muito grande de alguma coisa e é difícil de engolir. É necessário um bom gole de qualquer liquido próximo para ajudar! Isso ofende o leitor. Veja bem, não é uma crítica ao diretor do filme, é uma crítica a autora do livro. Pois quem assistir ao filme antes de comprar o livro certamente não o lerá! Penso isso porque me parece plausível dizer que para a grande maioria das pessoas saber a história “por cima” já é o suficiente. E o filme não é instigante o suficiente para romper tal barreira intelectual. Ter feito um filme com um pouco mais de cuidado e bem mais tempo seria ótimo. Ganhar dinheiro em cima dos outros é normal, nós até aceitamos, mas que pelo menos paguemos por algo bom. Não me arrependi de ter ido ver. Nem tão pouco de ter lido o livro. Crepúsculo tem tudo para se tornar um marco na literatura mundial, como um livro muito bem escrito, de fácil leitura e bem profundo. Com uma história que foge dos clichês banais de “romancinhos” bobinhos e nos deixa um gosto de quero mais, alucinante. Uma autora cheia de imaginação merece aplausos. Eu como mera leitora e espectadora espero sinceramente que o próximo filme (é terá continuação) seja de um nível melhor. Digo, que me surpreenda positivamente. Melhor que isso, seja também um marco no cinema. Que tal?Mudaram o diretor, talvez esteja aí um indício do porquê. Agora é esperar pra ver. Crepúsculo deixa algumas deixas para interpretações, uma delas é a de que em qualquer circunstância, sobre qualquer desculpa, sempre temos alternativas. Ou seja, sempre podemos escolher o que somos. Verdadeiramente. Talvez seja esse o ponto crucial para entender que por trás de uma simples historia de amor, bonita, perigosa e atraente, existe algo a mais. Lição de moral? Nunca! Eu vejo muito mais como uma verdade, das poucas que eu acredito. Somos o que queremos ser! Nem um milímetro a mais. Certamente vou comprar as continuações, minha curiosidade ainda me domina. O próximo se chama Lua Nova e promete mais algumas doses de romance e de tristeza. Mas já tem o próximo e o próximo e tal. Minha sorte é que a autora é jovem. Espero que tenha vida longa e que o sucesso não atrapalhe suas palavras. Pra quem quer se distrair de maneira bem gostosa nas férias leia-o também, mas leia, não vá ao cinema antes, por favor! Não esqueça o filtro solar, pois a probabilidade de permanecer horas na praia perdido na leitura desse romance é grande e eu não quero me sentir culpada por queimaduras de ninguém! Ah, sim, vampiros também amam.Congratulações, amigos! 

domingo, 28 de junho de 2009

Lágrimas

"Chorar me dói a cabeça
Me incha os olhos
Relativiza a minha emoção e o meu pesar
Exorciza aquilo que não cabe em mim
Desopila o coração cansado
Molha minhas páginas em branco
Conforta-me sobretudo,
a salinidade, a transparência
e a produção sempre obsequiosa
Uma lágrima não pede nada em troca
Como não a escambo,
nada implica uma troca de gentilezas
Firma-se assim um trato,

Tomo-a para dançar com a mais resoluta verdade

e ela segue agradecida o seu caminho em vértice."

Hoje quero mudar de direção. As lágrimas que amenizaram minha dor e acalmaram minha alma se foram...deixando em meu rosto não uma cicatriz de sofrimento, lágrimas não deixam cicatrizes visíveis. Elas somente limparam meu olhar e agora vejo claramente. Como eu sempre digo, nada melhor que uma noite de lágrimas e sono para nos mostrar o que realmente é mais sensato. Mas, quem disse que na vida é preciso ser sensato? Por vezes é necessário se perder, para poder se reencontrar. É necessário sofrer por amor, para poder conhecer a força que ele tem.

Confiar, é melhor que seja em si próprio. Digo, é melhor! Porém isso não nos impede de confiarmos em outro. Correndo o risco de se decepcionar, claro. Correr riscos...sempre corremos. Portanto, que sejam riscos felizes, que tragam harmonia, amor, paz!

Hoje, querido leitor, não estou para conselheira, nem para grandes ideias, as profundas, as perfeitas, as emocionantes. Estou hoje somente aqui. Não penso nada lógico. Respiro, como, leio, meu coração bate, meu sangue percorre minhas veias jovens. Meu corpo treme pelo frio. Meus lábios nao sorriem, como sempre, mas ainda estão aqui, prontos para que a qualquer momento, diante da alegria, possam, novamente, serem como são. Grandes, rosas e sorridentes!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Estão todos cegos!

Não, não é uma epidemia de glaucoma, nem tão pouco uma alucinação minha. Todas as pessoas estão cegas, talvez isso pareça demasiadamente generalista, e é exatamente essa a intenção.
Chega de ressalvas, de exceções, no fundo nós sabemos sobre nossa cegueira intrínseca, desumana. (peço perdão aos cegos fisiológicos ou a quem se sentir ofendido). Estou aqui falando de algo pior do que não poder ver. Falo de pessoas que não querem ver, não conseguem – não por um problema físico – mas por covardia. Mães que não olham para seus filhos e depois se perguntam onde foi o erro. Maridos e esposas que já não se reconhecem diante de tantos problemas. Políticos que não enxergam sua total displicência e ignorância. Não pense você, caro leitor, que partiu de minha mente idéias tão pessimistas (mas eu gostei), foi sim de um “belo” e “feio” filme. Dirigido pelo já tão premiado brasileiro (olha que chique) Fernando Meirelles, baseado num livro do escritor português José Saramago “Ensaio sobre a cegueira”. Nesse filme o tema “cegueira” vem como um sentido claro de impotência. Da nossa impotência diante de, simplesmente, nós mesmos. Para quem – ainda - não assistiu, aqui vai um conselho: leia o livro antes. Sabe porque? Vou explicar. Quando li o livro fiquei chocada com certas verdades humanas que na maioria das vezes temos vergonha de mostrar, ou escrever! Porém, minha sutil “inocência” quanto a alguns aspectos, não me proporcionaram imaginar cenas como as que vi no filme. Por isso, ler o livro vai fornecer o grau de “inocência” que você ainda tem! Certamente não é para qualquer um ver e entender. Afinal, nada é para todos. Claro que, cada um tem um gosto, muitos vão amar, outro tanto, odiar. O importante é não ter opinião formada sobre tudo. Confesso que esperava ver mais atores latinos, porém, a atuação de todos foi brilhante. Gael Garcia Bernal, o garoto propaganda do filme (essa não podia passar), está numa atuação também muito boa, mas já aviso às tietes de plantão que ele não chega nem perto do antigo Che.
Um ponto interessantíssimo do filme é a crítica ao que chamamos de sociedade, de governo. Chego a pensar nos anarquistas (ou pseudo-anarquistas) e utopia é o que me vem à cabeça. Sim, não me odeiem por isso, mas o ser humano AINDA não sabe viver sem cabresto. É muito egoísta para isso. Infelizmente.
Não vou contar, obviamente, o filme. Quem quiser que veja, ou faça ainda melhor, veja, olhe e sinta. Por fim, caro amigo leitor (olha só a intimidade), desejo que você seja saudável, que tenha a oportunidade de ver com os olhos e de sentir com a alma e para os que não podem ver fisicamente (e também para todo o resto), que agucem ainda mais a sensibilidade e não usem seus problemas para ludibriar ninguém (quem for ver o filme entenderá essa colocação).
Minha esperança? Um dia escrever lá no inicio “estão todos vendo”.

Abraços!!!

Olá caros leitores, sejam bem vindos. Hoje inicio meu próprio blog, relutei um tanto para aderir a esta ferramenta como algo pessoal, mas acredito que esta seja mais uma porta para difundir uma paixão: a escrita.

Postarei aqui textos de minha autoria, talvez alguns tenham passagens de textos de outros bons textos.

Como fã de Clarice, tomo como parte de mim mesma todas as suas poesias e por isso tenho a liberdade de iniciar esse novo espaço com uma das minhas prediletas.

Saudações e até a próxima

"Estou sentindo uma clareza tão grande

que me anula como pessoa atual e comum: 

é uma lucidez vazia, como explicar? 
assim como um cálculo matemático perfeito 
do qual, no entanto, não se precise. 
 
Estou por assim dizer 
vendo claramente o vazio. 
E nem entendo aquilo que entendo: 
pois estou infinitamente maior que eu mesma, 
e não me alcanço. 
Além do que: 
que faço dessa lucidez? 
Sei também que esta minha lucidez 
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes. 
 
Pois sei que 
- em termos de nossa diária 
e permanente acomodação 
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade 
é um risco. 
 
Apagai, pois, minha flama, Deus, 
porque ela não me serve 
para viver os dias. 
Ajudai-me a de novo consistir 
dos modos possíveis. 
Eu consisto, 
eu consisto, 
amém."