quarta-feira, 1 de julho de 2009
Vampiros também amam?
Quinta-feira, encontro uma amiga no shopping (mais um belo programa curitibano), vamos passear pela livraria (neste caso um programa pessoalmente divertido). Procuro alguma coisa pra ler, bom o suficiente para tomar grande parte das minhas férias e talvez conseguir me distrair das boas conversas familiares. O rapaz que nos atendeu era muito simpático e bem, sabia o que tava fazendo. Indicou-me um bom livro de poesias (Fernando Pessoa) e depois me surpreendeu com um best-seller que “todos” conheciam, menos eu! Confesso que costumo manter uma distância razoável dos best-sellers, talvez seja preconceito (que coisa feia), mas ainda acho esse um preconceito razoável, visto que, antes de tê-lo, já havia me deparado com livros absolutamente irrelevantes pra qualquer mortal na jornada pela vida terrena e que se tornaram símbolos de uma massa ávida por encontrar respostas sobre si mesmos nas páginas de um livro! Enfim, contudo, foi mais uma superação, fiquei curiosa com a promessa de que se tratava de um bom livro e que a autora (mulher e norte americana) era jovem e formada em literatura. Bem, obviamente não foi o fato de ser formada em literatura que me fascinou, na verdade foram aquelas poucas palavras que sempre lemos atrás do livro.“De três coisas eu estava convicta. Primeira: Edward era um vampiro. Segunda: havia uma parte dele que tinha sede do meu sangue. E terceira: eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele”.Como uma mulher poderia resistir a isso? Perguntei-me! Oras, isso é jogo sujo. Romantismo acende em nossos corações algo de misterioso e inalcançável. Não resisti, comprei-o! Começava ali minha saga rumo ao final do livro, cada página me fascinava mais, não saia sem ele nas mãos. É muito engraçado o poder de uma boa história. Confesso que nas primeiras páginas pensava ser uma menina de 15 anos que havia escrito o livro. Porém, com o passar da história, a autora vai se aprofundando psicologicamente e então, concluí: ninguém com pouca experiência seria capaz de escrevê-lo. O fato que mais me surpreendeu foi que o livro é comprado por adolescentes (claro que não é somente por eles). Comecei a ler na sexta e no domingo terminei. Foi triste. Mais de 300 páginas e vou ter que comprar a continuação, só Deus sabe onde isso vai parar. Algumas teorias foram criadas por mim, será que é uma lavagem cerebral? Ou tem cocaína nas páginas? Não, não...Nada disso, conheço pessoas que leram e não se fascinaram como eu. Por isso minha teoria mais forte é a de sempre, cada livro que gostamos reflete um momento pessoal de nossas vidas. Será que estou apaixonada? Vai saber! Continuando minha saga, descobri que seria lançado na semana seguinte o filme no Brasil. Falei com os amigos, poucos haviam lido e estes não estavam com tanta vontade de ver o filme como eu. Não pude esperar a estréia, fui na pré-estréia! O dia havia sido longo e eu tava cansada, cheguei em casa rapidamente, escovei os dentes e num lapso estava pegando o elevador e me dirigindo ao cinema mais próximo. Queria pegar a sessão mais cedo possível, era às 21h. Quando cheguei no cinema, já faltava pouco pra começar o filme e estava simplesmente lotado. A fila era enorme, crianças gritando como se fossem ver lá dentro algum astro da nova juventude ou algo parecido. Nunca havia visto nada parecido no cinema, talvez porque não costumo ver filmes baseados em best-sellers. Fiquei atônita quando descobri a idade mínima pra entrar: 12 anos! Bem, realmente as crianças estão cada vez mais precoces, mas algumas partes do livro eram “pesadas” demais. Bem, não interessa, os pais que devem se preocupar com isso. Voltando a minha loucura, fui na bilheteria e eureka! Nada de ingressos. Na verdade fui lá só pra me certificar do fato já óbvio diante do frenesi da multidão. Saí do cinema rumo a minha outra opção, uma sessão às 22h10. Estava ,para essa, adiantada, algo que me deixou bastante feliz. Cheguei no outro cinema e estava como eu gosto, vazio! Lembrei-me que apesar de deixarem que os filhos vejam filmes de vampiros à noite, poucos pais deixam que eles passem da meia noite na rua! Uma hipocrisia já natural. Enfim, os ingressos também já estavam esgotando, mas como eram pessoas menos eufóricas as que estavam ali, naquele horário, pude ir jantar tranqüilamente. Exato, só me lembrei que humanos precisam se alimentar quando estava garantida minha entrada na pré-estréia. Cheguei pouco antes do inicio do filme e consegui um bom lugar. Não o melhor, mas nada iria me abalar naquele momento. Quando começou o filme o alvoroço foi grande, a figura de Edward gerou uma certa tietagem. Eu ri! Cada beijo deles, ou uma mera aproximação deixa a todos encantados. Foi bonito, porém, como sempre o filme deixou muito a desejar, pois o livro é realmente ótimo. Precisava ver para crer! Como disse a quem me perguntou depois, para quem NÃO leu o livro é um bom filme. Para quem leu, não é! Não pela filmagem. Nem pelos atores. É tudo muito bem feitinho e os atores são bonitos, como o livro deixa bem claro serem os personagens. Contudo, pareceu-me que jogaram a história. Como quando comemos um pedaço muito grande de alguma coisa e é difícil de engolir. É necessário um bom gole de qualquer liquido próximo para ajudar! Isso ofende o leitor. Veja bem, não é uma crítica ao diretor do filme, é uma crítica a autora do livro. Pois quem assistir ao filme antes de comprar o livro certamente não o lerá! Penso isso porque me parece plausível dizer que para a grande maioria das pessoas saber a história “por cima” já é o suficiente. E o filme não é instigante o suficiente para romper tal barreira intelectual. Ter feito um filme com um pouco mais de cuidado e bem mais tempo seria ótimo. Ganhar dinheiro em cima dos outros é normal, nós até aceitamos, mas que pelo menos paguemos por algo bom. Não me arrependi de ter ido ver. Nem tão pouco de ter lido o livro. Crepúsculo tem tudo para se tornar um marco na literatura mundial, como um livro muito bem escrito, de fácil leitura e bem profundo. Com uma história que foge dos clichês banais de “romancinhos” bobinhos e nos deixa um gosto de quero mais, alucinante. Uma autora cheia de imaginação merece aplausos. Eu como mera leitora e espectadora espero sinceramente que o próximo filme (é terá continuação) seja de um nível melhor. Digo, que me surpreenda positivamente. Melhor que isso, seja também um marco no cinema. Que tal?Mudaram o diretor, talvez esteja aí um indício do porquê. Agora é esperar pra ver. Crepúsculo deixa algumas deixas para interpretações, uma delas é a de que em qualquer circunstância, sobre qualquer desculpa, sempre temos alternativas. Ou seja, sempre podemos escolher o que somos. Verdadeiramente. Talvez seja esse o ponto crucial para entender que por trás de uma simples historia de amor, bonita, perigosa e atraente, existe algo a mais. Lição de moral? Nunca! Eu vejo muito mais como uma verdade, das poucas que eu acredito. Somos o que queremos ser! Nem um milímetro a mais. Certamente vou comprar as continuações, minha curiosidade ainda me domina. O próximo se chama Lua Nova e promete mais algumas doses de romance e de tristeza. Mas já tem o próximo e o próximo e tal. Minha sorte é que a autora é jovem. Espero que tenha vida longa e que o sucesso não atrapalhe suas palavras. Pra quem quer se distrair de maneira bem gostosa nas férias leia-o também, mas leia, não vá ao cinema antes, por favor! Não esqueça o filtro solar, pois a probabilidade de permanecer horas na praia perdido na leitura desse romance é grande e eu não quero me sentir culpada por queimaduras de ninguém! Ah, sim, vampiros também amam.Congratulações, amigos!
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